13/05/2009 - 17:10 - ATUALIZADO EM 13/05/2009 - 18:11 Para Setubal, do Itaú Unibanco, taxação dos maiores saldos da poupança não é discriminação O banqueiro apoia a medida do governo e diz que, no imposto de renda, acontece a mesma coisa
JOSÉ FUCS
O baqueiro Roberto Setubal, presidente do Itaú Unibanco, disse nesta quarta-feira ser favorável à nova fórmula adotada pelo governo para remunerar os depósitos na caderneta de poupança. "Esse é o melhor caminho", disse Setubal em entrevista exclusiva a ÉPOCA, ao comentar a decisão do governo de taxar os saldos superiores a R$ 50 mil. "Acho que é razoável nesse momento manter isentos os níveis mais baixos de poupança." Segundo ele, não houve por parte do governo uma "discriminação" contra os grandes aplicadores. "O ideal certamente seria criar o imposto para todo mundo. Mas não me parece um problema manter a isenção dos saldos menores. É como no imposto de renda, em que há alíquotas diferentes para níveis de renda diferentes."
Setubal disse, porém, que essa deve ser vista como uma fórmula de transiçao e que, no futuro, a melhor opção será a liberação do mercado. "Acho que mais à frente a gente deve liberar os juros da caderneta de poupança. Cada banco vai pagar o que achar que deve pagar, como no CDB", afirmou. "Esse modelo brasileiro, de ter uma remuneração de 6% ao ano, foi copiada do modelo americano (Lá eram 6% fixos. Aqui, ficou 6% mais um indexador). Nos anos 80, durante a crise das empresas de crédito imobiliário (savings & loans) nos Estados Unidos, uma das coisas que eles fizeram foi permitir que cada banco pague o que quer e acabar com o direcionamento (aplicação obrigatória dos recursos da caderneta no mercado imobiliário)."
Ele disse que a liberação será uma consequência inevitável da esperada queda dos juros no país. "Se a gente quer ter os juros internacionais, a caderneta de poupança também tem que se adaptar. No mundo inteiro a poupança é tributada e rende menos do que 8% ao ano já livres de impostos (6,17% ao ano, mais a variação da TR, no Brasil)", afirmou. "Não tem como a gente manter no Brasil esse rendimento. Se a gente quer viver no Brasil com juros mais baixos ter um instrumento com esse tipo de remuneração."
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