Mais de 20 mil na mira do Fisco
BRASÍLIA
Mais de 20 mil contribuintes já estão na mira da fiscalização da Receita Federal em 2012. São empresas e pessoas físicas que apresentaram indícios de sonegação tributária. O Fisco informou ontem saber não só os nomes, mas também as infrações que cada contribuinte cometeu nos últimos anos. O subsecretário de Fiscalização da Receita, Caio Cândido, disse que a seleção prévia dos contribuintes tem aumentado a eficiência da fiscalização, que tem levado a valores recordes de recuperação de tributos.
Ao todo são 21.651 contribuintes, dos quais 3.096 são grandes empresas, aquelas com receita bruta anual superior a R$ 100 milhões. A Receita também vai bater na porta de mais de 11 mil empresas de pequeno e médio porte, cujo maior problema é a omissão de receitas e a não emissão de nota fiscal. As grandes empresas se utilizam do chamado planejamento tributário, usado para reduzir a base de cálculo e recolher menos tributos aos cofres públicos.
Também estão nessa lista 7.337 pessoas físicas que apresentaram problemas na declaração do Imposto de Renda (IR). Em 2011, a maior parte dos contribuintes autuados foi dona de empresas e profissionais liberais.
A Receita anunciou também que atuará mais fortemente em outras frentes. Cândido informou que 128 empresas que atuam no segmento de seguros estão registradas como associações com o intuito de obterem isenção no pagamento de IR. Segundo ele, a Receita já identificou claros indícios de sonegação em 116 empresas. "São seguradoras travestidas de associações", disse. A Receita suspenderá a isenção das associações e fará a cobrança dos tributos devidos.
A fiscalização também atuará, em 2012, mais fortemente no mercado de debêntures (título privado de renda fixa). Algumas empresas vendem estes papéis diretamente aos acionistas e oferecem juros acima do mercado, praticamente equivalente ao lucro operacional. Isso permite reduzir o imposto sobre o lucro da empresa e também a tributação sobre a renda do acionista.
Outro alvo da receita são as entidades "que se dizem filantrópicas", como Organizações Não Governamentais (ONGs). Em função das denúncias de corrupção envolvendo o repasse de recursos do governo a essas entidades, o Fisco decidiu investigar as contas das ONGs.
Em 2011, a Receita bateu recorde de autuações, que somaram R$ 109,3 bilhões, 20,58% superior ao verificado em 2010. Entre as pessoas jurídicas, a participação maior foi do setor industrial, com R$ 30,9 bilhões, seguido do setor financeiro, com R$ 11,6 bilhões.
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