Uma mudança cultural incentivada pelo IR
O brasileiro, em geral, não tem a cultura de incentivar iniciativas e projetos. Ao menos, não na mesma forma que em outros países. E não estamos nem falando de participar ativamente ou, ao menos, de acompanhar e cobrar eficiência e resultado. Estamos falando de algo com o mínimo engajamento: simplesmente ajudar financeiramente boas causas.
A legislação de IR, por outro lado, dá uma grande força para esta mudança cultural na medida em que ela permite a recuperação integral da doação para diversos projetos culturais, desportivos e audiovisuais, além de iniciativas de apoio à criança, adolescente e idoso. Algumas pessoas poderiam dizer que seria melhor que os medicamentos pudessem ser deduzidos ou que o teto de dedução de educação fosse mais alto. Mas isso é uma outra discussão, que, aliás, merece ser feita pela sociedade.
O fato é que as grandes empresas com lucro real entenderam que podem fazer um bom negócio ao incentivar boas iniciativas com recuperação integral do apoio. Afinal, elas, no mínimo, expõem suas marcas de forma bastante interessante. Além do potencial retorno econômico, gera uma boa percepção das pessoas em geral.
Já as pessoas físicas… A Receita Federal não divulga muitas informações mais específicas sobre as declarações de IRPF. Mas todas as pesquisas sobre o tema evidenciam que o percentual de contribuintes que fazem doações com benefício de IR é muito pequeno. Algo MUITO abaixo do percentual de pessoas que declaram no modelo completo. E por quê?
Uma pessoa ou família que ganha anualmente R$100mil paga em torno de R$15mil de IRPF por ano. Isso significa que, caso ela declare no modelo completo, pode doar algo como R$900 por ano com total recuperação do incentivo. Imagina agora um executivo alto de empresa, assalariado, que ganha R$1milhão por ano. Pode doar R$15mil e receber tudo de volta na declaração anual. Você sabe quantos fazem isso? Ninguém sabe. Mas nossas investigações apontam para bem poucos.
A oportunidade está aí. Podemos aproveitá-la ou continuar só falando mal das nossas leis.
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